Internacionalizar não é traduzir

Um erro comum de uma parte significativa de quem pensa criar uma plataforma de vendas on-line é a de que a internacionalização é meramente a tradução da descrição do produto para diferentes línguas e ativar a tradução da plataforma.

Nada podia estar mais longe da verdade.

E com essa verdade vem consequências. A não venda de bens/serviços.

Vender on-line para mercados internacionais requer mais análise e medidas do que apenas a tradução. Os mesmos, ou mais serviços, que disponibiliza aos clientes portugueses devem ser disponibilizados aos clientes internacionais.

Lembre-se que a adoção de certas tecnologias e meios de pagamento não é uniforme em todos os países. Enquanto os alemães preferem um meio de pagamento, os vizinhos do Norte têm um totalmente distinto. E geralmente são soluções especificas para o país, desenvolvidas por empresas daquele mesmo país. Tal como acontece em Portugal com os pagamentos por multibanco.

Não é suficiente também para esse caso a adoção de um serviço de pagamentos como a Paypal, pois mesmo a Paypal não tem uma adoção uniforme. A primeira opção deve ser a solução mais utilizada pelos consumidores do país para o qual estamos a tentar vender.

Resolvido o problema dos pagamentos, temos um problema menor, que é o do envio. Como este procedimento não requer nenhuma ação por parte do cliente, apenas tem que receber a encomenda, a escolha da transportadora que presta este serviço pode ser escolhida fazendo a análise entre o alcance e o custo.

Outro aspeto fundamental numa plataforma de comércio eletrónico é o suporte. Este ponto é muito subestimado em Portugal. Suporte em Português e Inglês não é uma solução perfeita. Lembre-se que quando faz compras numa loja internacional, não quer ter que falar em inglês ou na língua nativa do país onde está a fazer a compra.

É também compreensível que não podemos ter suporte e todas as ferramentas disponíveis em todos os países para os quais vendemos. Temos que fazer uma análise do custo/benefício, mas é sempre necessário ter atenção que o benefício da aposta em suporte na língua nativa do cliente não pode ser medido de imediato e isoladamente.

Outra das preocupações deve ser as regras de mercado do país para o qual vai realizar o envio.

Para a união europeia esta questão é de fácil resolução. Com a uniformização das regras e uma consulta ao site http://europa.eu/ pode-se resolver o “problema”.

Existem, contudo, questões que devem ser levadas em atenção se pensa em comercializar produtos para fora da zona euro. Não estamos apenas a falar em impostos, mas também em legalidade de comércio. Nem todos os bens podem ser exportados para todos os países. Tenha especial atenção a bebidas, tabaco, caça desportiva, fogos de artifício, entre outros.

Informe-se junto das autoridades do país de destino sobre as restrições ao comércio que possam existir.

Se está a começar e a sua experiência com mercados externos não é ótima, não exclua a possibilidade de criar uma parceria com uma empresa local. Conseguirá informação com um elevado grau de fiabilidade e ter uma empresa no país de destino a fazer a importação e comercialização dos produtos pode ser uma grande vantagem.

Além do mais esta parceria pode ser também de importância crucial no que diz respeito a ações de marketing e conhecimento de eventos culturais. Pode prevenir um “desastre” de marketing se tiver alguém que lhe saiba informar os costumes, tradições e história do país em questão.

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